Algumas vezes, as melhores
iniciativas vêm de onde a gente menos imagina.
Bagé, município de pouco mais de cem
mil habitantes, situado na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul,
saiu na frente e deu um belo exemplo no que diz respeito a
acessibilidade.
A prefeitura inaugurou uma praça
especial para crianças com deficiência. Todos os brinquedos são
totalmente adaptados e o local possui rampas de acesso e passarelas
para facilitar a vida dos "cadeirantinhos".
Fiquei muito orgulhosa com a
iniciativa, já que boa parte da minha família é natural de Bagé.
Minha mãe nasceu lá e eu mesma, quando criança, brinquei muito nas
pracinhas da cidade. Só que na época, ainda nem se falava em locais
acessíveis para pessoas com deficiência.
Fica a dica para que as grandes
cidades sigam o exemplo de Bagé e proporcionem às crianças
"malacabadinhas" o direito de brincar como todas outras.
Bela iniciativa: pracinha adaptada em Bagé escrito em sábado 12 maio 2012 15:05
O mesmo exame, mas um novo mundo escrito em sábado 28 abril 2012 09:42
Há algum tempo contei aqui o sacrifício que foi para eu fazer um raio-x panorâmico, lembram? Na época, realizei esse exame em um hospital público, pelo SUS e com um equipamento do século passado. Mas como eu estava sendo acompanhada por uma equipe especializada do mesmo hospital, realizei tudo por lá mesmo.
Esta semana precisei repetir o raio-x, pois preciso extrair um siso que está me incomodando. Só que desta vez realizei o procedimento pelo convênio odontológico, em uma clínica maravilhosa e com uma máquina que mais parecia um robô.

O equipamento, novinho em folha, baixava quase até a altura da minha cadeira de rodas. A diferença que faltava foi preenchida por um bolo de pastas de papel, mas mesmo assim não fiquei com a sensação de estar "pendurada" como da outra vez.

Tranquila, sem tremer um milímetro e bem segura, fiz o raio-x em poucos minutos. Simples, rápido e sem sofrimento. Coisa de Primeiro Mundo!

Mas pra ter esses "privilégios",
só com um bom convênio. Felizmente, tenho a sorte de estar bem
amparada nesse sentido, mas e quem não tem? Os cadeirantes que só
têm hospitais públicos como opção continuarão sofrendo por causa de
um exame que deveria ser simples. Isto é Brasil. 
O exame imaginário escrito em segunda 23 abril 2012 06:23
Quando digo que há coisas que só acontecem comigo, o povo acha que estou exagerando. Pois bem, aí vai um novo capítulo da "minha nada mole vida".
No final do ano passado fui submetida a uma audiometria, como já contei aqui (aquele dia do "inferno astral", lembram?). O exame deveria ficar pronto em janeiro, para que eu pudesse entrar com um pedido para conseguir um aparelho auditivo "digrátis".
Passadas as festas de final de ano, minha mãe foi até o Hospital de Clínicas para retirar o resultado do exame. Após muito trilhar e nada conseguir, ela acabou desistindo. Dias depois, meu padrasto voltou ao local e novamente foi informado de que não haviam localizado o tal exame.
Inúmeras tentativas depois, minha
mãe foi informada, certo dia, de que não há comprovante algum de
que eu fiz a audiometria lá. Chegaram a perguntar: "a senhora tem
certeza de que ela fez o exame aqui?", "foi esse exame mesmo, não
foi um raio-x?". Como se fosse possível confundir uma audiometria
com um raio-x...
Ah, tá! Quer dizer que eu sonhei que passei horas no corredor do hospital, mais um tempão ouvindo aqueles apitinhos antipáticos durante o exame?
Resumindo: segundo as atendentes, eu não fiz exame nenhum. Aliás, talvez eu nem tenha estado no hospital naquele dia. Se alguém me viu, foi tudo miragem, ok?
Cadeirante vale menos? escrito em segunda 16 abril 2012 11:54
Já faz algum tempo que quero contar isso aqui, mas a correria do dia-a-dia me obrigou a abandonar o Bem Capaz. Mas sempre é tempo de denunciar a discriminação sofrida pelas pessoas com deficiência.
Meu amigo Carlão Oliveira, maratonista cadeirante, denunciou em seu blog a disparidade entre os prêmios dos "andantes" e cadeirantes" na Maratona de Porto Alegre. O 1º colocado "normal" ganharia R$ 12 mil, enquanto as pessoas com deficiência que fossem classificadas embolsariam no máximo R$ 500. Isso quer dizer que cadeirantes valem menos? Deveriam receber até mais, visto que as dificuldades de vencer uma prova como essas são ainda maiores do que as pessoas que não têm nenhum tipo de problema físico.
Segundo o Carlão, a Maratona de Porto Alegre estipulou apenas um "prêmio de consolação", como se os cadeirantes não fossem merecedores, ainda que vencessem a prova.
É um absurdo ou não é?
O mundo é dos espertinhos? escrito em segunda 19 março 2012 07:14
A falta de
educação é um problema crônico. No mundo individualista em que
vivemos, vence quem é esperto, malandro, que usa o famoso "jeitinho
brasileiro" pra burlar as regras.
Mas não deveria ser
assim. Falta a muitas pessoas o dom de se colocar no lugar do
outro, de pensar antes de desrespeitar normas básicas de
convivência em sociedade.
É o que acontece,
por exemplo, com quem estaciona em vagas para deficientes sem
precisar, usando aquela velha desculpa de "é rapidinho, vou ali e
já volto". Nesses minutinhos, alguém que realmente precisa pode ser
prejudicado.
Nos banheiros para
cadeirantes, ocorre o mesmo problema. Há algum tempo, mais uma vez,
pelo "aperto" de ter que ficar esperando para usar um lugar que,
por direito, deveria ser só de quem usa cadeira de rodas. Pra
variar, saiu lá de dentro um "andante", deu um sorrisinho amarelo e
ainda deixou o banheiro inutilizável por causa do mau
cheiro.
Educação deve vir de
casa, ninguém nasce sabendo. São os pequenos curiosos, que ficam
olhando com espanto para quem é "diferente", que devem ser
"moldados" desde cedo. Cabe às famílias explicar que há todo tipo
de pessoa no mundo, alguns tem seus "defeitinhos de fabricação",
mas ninguém é melhor do que ninguém. Mas acima de tudo, todos são
seres humanos que merecem ser respeitados. Só assim, ensinando as
novas gerações, o futuro terá menos "espertinhos" e mais
bem-educados.



